quinta-feira, 29 de novembro de 2007

O regresso das linhas de eléctricos à cidade do Porto

Em Setembro, a STCP activou a linha 22 do eléctrico, que liga a Batalha ao Carmo. Na primeira semana de actividade, quase 5000 pessoas usaram a nova linha.

João Aires, responsável pela área de Comunicação e Relações Institucionais da STCP, considera que a linha 22 foi um êxito, já que atingiu uma procura que superou as expectativas. “Aquilo que pensámos que poderia ser um eléctrico turístico está a transformar-se cada vez mais numa das linhas de mobilidade entre pontos que nós nem imaginávamos que pudessem vir a resultar”, diz.

Ainda assim, a linha 22 recebeu críticas. “Pessoas com responsabilidade na cidade, nomeadamente a Presidente da Associação de Comerciantes do Porto, disse publicamente que se estivesse no lugar do Presidente da Câmara, retirava todos os carris da cidade do Porto. Isto é uma afirmação da maior irresponsabilidade!”, defende João Aires.

O responsável pela área de Comunicação na STCP explica que há cerca de 30 anos que não existiam carros eléctricos no Porto e, no âmbito do projecto europeu URBCOM, a Câmara Municipal considerou ser importante, para a Baixa , ter o eléctrico.

O Porto foi percursor no aparecimento da primeira linha de carros eléctricos na Península Ibérica, em 1895. João Aires acrescenta: “Foi pioneiro nessa altura, assim como também é pioneiro na revitalização”.

A reestruturação das linhas da STCP – Onze meses depois

Entrevista a João Aires, representante da STCP


Quase um ano depois da entrada em vigor da nova redistribuição das linhas da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto, as manifestações do Movimento de Utentes de Transportes da Área Metropolitana do Porto parecem ter cessado.

João Aires, responsável pela área de Comunicação e Relações Institucionais da STCP, considera que as alterações feitas foram “uma aposta no bom sentido, que está a dar frutos”.

“Nós já fizemos um balanço dos primeiros seis meses da nova rede e verificamos que o sistema de transportes aumentou o número de passageiros e isso significa que estamos a verificar uma inversão do que se tem vindo a verificar nos últimos anos, em que as pessoas preferiam utilizar um transporte individual”, diz.

Como razões para este aumento de passageiros, João Aires aponta a integração tarifária e a melhoria da fluidez.

Relativamente à atitude de retrocesso da STCP face ao metro, João Aires diz que a nova redistribuição das linhas procurou ir no sentido da intermodalidade dos transportes.

Desta forma, explica o desaparecimento de algumas linhas, uma das alterações mais criticadas pelos utentes. “Eliminamos as sobreposições do metro pois não faz sentido que num eixo onde passe o metro passe também um autocarro”, considera.

O representante da STCP acrescenta que existiam dados concretos que mostravam não existir procura que justificasse ter uma linha em determinados locais. “Quem tem a ideia de que uma empresa de transportes é lucrativa, engana-se. Nós como técnicos, temos que ter sempre presente qual a melhor solução que minimize os custos, de forma a melhorar a mobilidade da maior parte dos cidadãos”.


domingo, 27 de maio de 2007

Queima molhada, Queima abençoada

Os portões estão ainda fechados, o recinto está vazio. No chão vêem-se vestígios das noites passadas. Dos copos das bebidas restaram apenas pequenos pedaços de plástico que brilham à luz dos candeeiros. Caminham, de um lado para o outro, jovens carregando bidões de cerveja, nos últimos preparativos das suas barracas. Do céu chega uma escuridão que parece vir ameaçar a derradeira noite da Queima das Fitas do Porto.

Do outro lado dos muros, ouve-se a multidão que aguarda a abertura dos portões. O bilhete marca a entrada para as 22 horas, mas já ninguém espera que isso realmente aconteça. Do lado de dentro da entrada, forma-se um grupo de pessoas que faz lembrar as esperas dos familiares nos cais de chegada dos aeroportos. Aguardam os amigos que entram pela via normal. Alguma mão amiga os pôs certamente lá dentro, sem necessidade de bilhete. É então que, por volta das dez e meia, os portões abrem e a multidão entra. Começa assim o fim das Noites da Queima das Fitas do Porto.

Esta noite reserva Oioai e Xutos & Pontapés − contraste de estreantes com veteranos. Os Oioai são uma banda recém-formada, com um estilo musical algo peculiar. Pedro Puppe e João Neto na voz e guitarras, Fred na bateria e Nuno Espírito Santo no baixo deram à luz Oioai. “Sushibaby” é o seu primeiro single, uma música de amor, como se orgulham de lhe chamar. “Jardim das Estátuas” também já toca nas rádios e já entrou no ouvido de muita gente, como se comprova durante o concerto.

Apesar disso, a maior parte aguarda ansiosamente pela banda do Zé Pedro e do Tim para animar a noite. Os “Xutos” são a principal motivação das mais de 50 mil pessoas que se encontram no queimódromo, neste sábado à noite. Lá no meio do público alguém reclama: “Oh pá, venham mas é os Xutos!”.

Depois de uma preparação cuidada do palco, própria de uma verdadeira banda de rock, os Xutos & Pontapés dão início ao concerto com o seu habitual vigor. No écran por trás da banda, passam imagens do seu percurso ao longo de 24 anos.

Novamente a mesma voz se faz ouvir: “Se chover é que o concerto vai rebentar!”. E realmente há quem concorde. Miguel Fernandes, estudante da Faculdade de Engenharia do Porto, considera que “a chuva só ajudou o pessoal a soltar-se e a saltar cada vez mais”.

Como era de esperar, os Xutos & Pontapés levam, uma vez mais, o público ao rubro com músicas como “Para ti, Maria”, “Quero-te Tanto”, “Chuva Dissolvente” ou “Minha Casinha”. Esta última, que coincide com o exacto momento em que começa a chover torrencialmente, parece ter sido o grande momento da noite para muitos. “Foi mágico, lindo e nostálgico”, acrescenta o mesmo estudante da FEUP.

Se para uns a chuva anima a festa, para a maior a parte o primeiro instinto é correr para o abrigo mais próximo. Nos carrinhos de choque, nas roulotes do pão com chouriço, na tenda do Cinejazz…por todo o lado as pessoas apinham-se, acotovelando-se por um espaço em que não chova. Pontualmente vêem-se manchas de cor movendo-se calma e despreocupadamente − são muito poucos os que não esqueceram o guarda-chuva.

Hugo Soares, estudante da Escola Secundária de Valongo, diz ter sido um bom concerto, o dos Xutos & Pontapés. “Foi pena terem demorado tanto a tocar as músicas que o público mais gosta; só começaram no final quando o pessoal estava a abrigar-se. A chuva estragou tudo.”

Sente-se no ar uma mistura de aromas. A terra molhada confunde-se com a massa quente dos gauffres e com as pipocas. Se não existisse a enorme barraca da SuperBock, qualquer um poderia recuar no tempo e sentir-se tal qual uma criança na feira popular, envolta em luzes de néon e em músicas de carrosséis.

Para alguns, o corpo molhado e o fim dos concertos encaminham-nos directamente para a saída. Para outros, é só o início da noite. A chuva só veio trazer uma pitada de adrenalina. As barracas das bebidas estão à espera. Segurando o copo na mão, Pedro Moreira, estudante do Instituto Superior da Maia, envolvido na organização e logística das Noites da Queima, confirma: “Não há Queima sem cerveja!”.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Teatro em Valongo

A Mostra de Teatro Amador de Valongo chegou ao fim. O evento, que contou com a participação de doze grupos de teatro do concelho, teve início a 3 de Março e encerrou a 4 de Maio, com a peça “Boca de Fogo”.

O espectáculo trouxe ao palco os alunos do Curso de Formação em Teatro, ministrado pelo ENTREtanto Teatro em colaboração com a Seiva Trupe. Com texto de Manuel Poppe e encenação de Júnior Sampaio, a peça retrata “uma viagem rápida e alucinante pela respiração, pelo amor, pelo sexo, pela família, pela arte, pela violência, pelo materialismo…numa passagem/reciclagem pela experimentação da vida”. O corpo torna-se meio de comunicação capaz de exprimir as inquietações mais profundas do ser humano. “Boca de Fogo” é um verdadeiro “convite à poesia dos sentidos”.

Júlio Cardoso, encenador da companhia de teatro Seiva Trupe, elogiou, no final do espectáculo, o desempenho e a inteligência criativa dos participantes. A assistir à peça encontravam-se ainda o próprio Manuel Poppe e Luís Pinto, representante da Câmara de Valongo, que se encarregou da entrega dos certificados de participação aos actores amadores. Assim se completaram, com “Boca de Fogo”, dez anos consecutivos de acções de formação do ENTREtanto Teatro.

O teatro tem sido, nos últimos anos, uma das grandes apostas da Câmara Municipal de Valongo. A companhia teatral ENTREtanto, que recebeu desde o seu início apoios da Câmara, é actualmente um elemento essencial para a dinamização cultural do concelho. Os números seguintes, retirados do site oficial da companhia, evidenciam o seu sucesso: 29 peças produzidas, 200.000 espectadores e 2000 espectáculos apresentados em mais de 100 localidades em Portugal e ainda noutros países como Moçambique, França, Espanha, Brasil e Cabo Verde. Graças às actividades do grupo de teatro, o nome de Valongo inclui-se já no circuito artístico nacional e internacional.

O grupo de teatro ENTREtanto nasceu em 1996, no seguimento de um Protocolo de Cooperação Cultural, estabelecido com a autarquia de Valongo. Desde então, a companhia rege-se por uma política cultural descentralizada. A Mostra Internacional de Teatro, que vem a ser organizada desde 1998 em conjunto com a Câmara de Valongo, é prova disso. O MIT não só divulga o teatro português, como também permite o contacto com tendências e ideologias de outras culturas.

A partir de 2002 a companhia começa a funcionar no Centro Cultural de Campo, um edifício concebido para a apresentação de espectáculos e ainda com uma área destinada a fins museológicos. É lá que será reposta a peça “Boca de Fogo”, de 28 de Maio a 3 de Junho, depois de estar também em exibição no Teatro do Campo Alegre, de 10 a 13 e de 15 a 20 de Maio.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Digg it!

“Share, discover, bookmark, and promote stuff that's important to you!”

O Digg concretiza plenamente o cliché associado à Web2.0: democratização do espaço on-line. Não só podemos partilhar conteúdos (notícias, vídeos, podcasts) como também podemos expressar a nossa opinião sobre um post de outro utilizador, através de um voto ou comentário.

Sujeito à avaliação da comunidade cibernauta, o conteúdo publicado ocupará melhor posição no ranking quanto maior for o seu número de votos, podendo mesmo vir a aparecer na página inicial do Digg.com.

De que forma pode a Internet influenciar a Política?

Uma rápida análise da evolução dos diferentes media revela uma tendência indesmentível: à medida que estes se vão enraizando no quotidiano da população, começam a ser vistos pelos políticos como poderosas armas. A imprensa talvez não seja o melhor exemplo, uma vez que nasceu já muito ligada ao aparelho do Estado. Mas recorde-se a rádio ao serviço da propaganda entre as duas guerras mundiais ou o famoso debate Nixon VS Kennedy na televisão.

A Internet, agora já elemento essencial das nossas vidas, não fugiu à regra.

Nos Estados Unidos da América, Hillary Rodham Clinton (ver vídeo Hillary Clinton as Big Sister) e Barack Obama, candidatos à Presidência da República, não ficaram, de todo, indiferentes ao potencial da net. Redes sociais como o YouTube e o MySpace estão já a ser usadas para cobrir as eleições de 2008. Ainda há pouco tempo, o MySpace anunciou o lançamento do Impact Channel, um espaço onde qualquer cidadão norte-americano pode aceder a informações, vídeos e imagens dos onze candidatos à Casa Branca. Só em Dezembro, o MySpace atraiu 60 milhões de utilizadores e, aproximadamente, 90 milhões de pessoas em todo o mundo segundo estatísticas da firma comScore MediaMetrix.

Não é por acaso que as eleições de 2008 foram já apelidadas de "Elections Web2.0"…



Vídeo retirado de: The Wall Street Journal On-line




Bjork e Gondry, a combinação perfeita

Hyperballad, de Bjork (Post, 1995)
Vídeo realizado por Michel Gondry

"It's early morning, no one is awake.
I'm back at my cliff, still throwing things off.
I listen to the sounds they make on their way down.
I follow with my eyes 'til they crash.
Imagine what my body would sound like slamming against those rocks.
When it lands, will my eyes be closed or open?"